Sempre concordei com a frase do Millôr Fernandes quando ele diz que pior cego é aquele que vê TV, mas pensando bem, ele não tem nenhuma razão, muito ao contrário.
A TV há tempos deixou de ser um mero instrumento de entretenimento, se é que um dia ela foi exclusiva a esse fim. Claro que é preciso que haja um filtro para o que realmente vale a pena ser assistido, sem querer entrar na discussão sobre o jornalismo, a mídia sensacionalista, é justo que se diga que o jornalismo sério é um bom despertador para a população, afinal, a gente só se comove com o que conseguimos visualizar. Quantos de nós não se indignou ao ver políticos enchendo a mala, a meia, a cueca com o nosso dinheiro?
A televisão é sim a maior invenção dos últimos tempos (minha mãe diria que foi a máquina de lavar), há quem diga que ela é um importante controlador da taxa de natalidade. Verdade ou não, todos nós gastamos boa parte do nosso tempo com os olhos grudados na telinha. A gente ri, chora, vibra e aprende todos os dias. Aprende? Sim, aprendemos sobre assuntos que jamais chegaríamos a conhecer. Antes do surgimento da internet, era a televisão que nos proporcionava chegar a lugares que nem sonhávamos existir.
As novelas e filmes exercem suas funções sociais e culturais que nos levam a questionar nossa postura perante os fatos que ocorrem a nossa volta, nos força a rever conceitos e valores que muitas vezes adquirimos sem questionarmos.
Recentemente a novela caminho das índias tocou em um assunto muito pertinente que foi a esquizofrenia. Um assunto delicado que envolve mais que um problema de saúde, mas um problema que a sociedade veio escondendo em clínicas e manicômios por muito tempo. É uma hipocrisia ignorar um assunto como esse e a Glória Perez soube usar seu veículo muito bem, trazendo a tona não só o problema em si, como também o preconceito e a falta de informações que a população tem dessa doença, trazendo consigo o preconceito e a discriminação.
A Televisão também é um bom instrumento de influencia da moda e o estímulo ao consumo, obviamente que isso acaba por conduzir padrões que não condizem com a realidade financeira e nem física das mulheres normais que existem aos montes pelas ruas (na minha opinião, as modelos magérrimas são ETs), mas também mostra a criatividade e a flexibilidade do nosso povo, mostra também a capacidade de adaptação.
O que quero mostrar é que a televisão traz pra dentro de nossos lares a discussão sobre o cotidiano, nos faz pensar e refletir sobre o mundo que vivemos e o que queremos deixar para as próximas gerações como legado, herança. Há sim muita coisa proveitosa na caixinha mágica que temos na sala, só precisamos estar mais atentos ao que deixamos ela nos dominar e influenciar.